Dar ouvido às inquietações é crucial para o nosso desenvolvimento como inovadores
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10 min
13 julho 2023

Dar ouvido às inquietações é crucial para o nosso desenvolvimento como inovadores

O Open the Doors é um movimento que integra o ecossistema de inovação pela colaboração entre feminino e masculino, a fim de promover a equidade de gênero na liderança da inovação aberta. Em parceria com o Learning Village, estamos desenvolvendo conteúdos e eventos para ampliar a participação das mulheres na liderança da inovação. Acreditamos que existe uma força transformadora na integração Fe+Male que abre portas da nossa potencialidade humana, individual e coletiva para gerar acesso, inclusão e diversidade a um ecossistema sustentável. Vem com a gente, participe do movimento e saiba mais sobre os eventos clicando aqui.

Portas abertas para Larissa Nakano, intraempreendedora da Deloitte, por Open the Doors e HSM.

Se diversidade, equidade e inclusão são importantes em todos os contextos, imagina só quando falamos de ecossistema da inovação? Quanto mais diverso e inclusivo for esse ambiente, com diferentes perspectivas integradas, maior a capacidade de resolver problemas, de promover conexões e potencializar iniciativas e startups. No entanto, os números ainda mostram um desequilíbrio, o que valoriza ainda mais as iniciativas que ajudam a integrar e convergir indivíduos – homens e mulheres – em prol de uma agenda de equidade.

Para ajudar a “abrir mais portas” e proporcionar oportunidades iguais para todas as pessoas do ecossistema, o Learning Village, junto com o movimento Open the Doors, começa a produzir uma série de conteúdos sobre mulheres e homens que apoiam a equidade de gênero e são residentes no 1º Hub de Inovação e Educação da América Latina. Seja com projetos, apresentações e experiências das startups residentes nos últimos anos, a ideia deste movimento é trazer perspectivas em comum, compreensões parecidas e um entendimento de mundo que precisa de mais visibilidade. E aprender com a experiência de quem, de uma forma ou outra, tem aberto as portas em prol da equidade de gênero.

 “A prática de viver nos ensina a conduzir e conjugar nossas próprias ações”, conta Larissa Tiemi Nakano, intraempreendedora na Deloitte Brasil e idealizadora do programa Match & Matters, focado em desenvolver negócios com propósito, e uma das residentes do LV.

Em um bate-papo com Michele Hacke, fundadora do Open the Doors, Larissa nos contou um pouco sobre sua trajetória de vida e como conseguiu angariar apoio para implantar e liderar esse projeto.

Larissa ressalta a importância da empatia, por exemplo, para criar novas lentes e desenvolver uma nova forma de olhar e compreender o mundo: “Enxergar as coisas que acontecem, perceber que o mundo está interconectado, com várias perspectivas, dimensões e diferenças foi de uma importância crucial”, conta ela.

Essa construção de diversas formas de percepção foram questões que sempre estiveram presentes em sua vida. Desde criança, Larissa sentia o que deveria ser feito e ficava angustiada com não conseguir colocar em prática suas angústias. A materialização de suas ideias demorou para acontecer, mas isso não foi algo ruim: permitiu que ela andasse com a inquietação, ao mesmo tempo que conseguia digerir, processar e analisar suas ideias de uma forma reflexiva.

“Eu sabia e continuo sabendo que a gente precisa saber tocar no coração do outro, com um propósito e sonho conjunto. Fazendo uma ‘somatória’, que forma uma colaboração muito rica e mais profunda do que apenas relações profissionais. Esta união de propósito nos muda. Eu sabia disso há muito tempo”.

Esse propósito sempre acompanhou Larissa, que deu espaço, tempo e permitiu que as inquietações fossem ouvidas nesta caminhada para materializar sua angústia. O “deveria ser feito” permaneceu como inquietação e a intraempreendedora passou a reconhecer os diferentes engajamentos, ler as práticas das pessoas e entender de que maneira os vínculos que eram criados, além de ter o trabalho analítico de dar qualidade a estas ações.

Propósito e realização

Ao acolher essas inquietações Larissa se conectou com seu propósito, que se materializou na Match & Matters. A iniciativa foi acolhida pela Deloitte e hoje já conta com mais de 1000 usuários, mais de 300 matches e mais de 100 CNPJs, além de alguns programas de monitoria em andamento. Mas, como Larissa destaca, chegar nesse ponto não foi algo simples.  

Por anos, a intraempreendedora sentiu que a Match & Matters tinha que vir ao mundo, mas não conseguia materializar sua ideia. Até que, em um momento de epifania, o projeto ganhou corpo e nasceu: “Eu chorei. Chorei copiosamente por um tempo, mas pela primeira vez tive paz. Eu entendi o que deveria fazer. Depois a inquietação se transformou e mais um momento de cuidado. Eu só pensava: ‘como fazer essa conexão? Como realizar isso?’ Veio a segunda angústia e eu trabalhei em cima dela”.

Esse foi um momento em que foi necessário ativar habilidades como resiliência, paciência e inteligência para lidar com sentimentos e transformá-los em força construtiva. A inquietação provocada por sentimentos como desamparo, angústia e medo ajudaram-na a se reconhecer: “eu me deixava ser fecundada por estas situações e tinha esse trabalho de gestacionar estas inquietações. É neste ponto que eu conseguia trazer energia e começar a criar o que eu queria. Mas sempre precisei de um tempo para entender e me permitia viver com isso.”

Este tempo, segundo ela, colabora para ampliar uma construção muito maior de compreensão, incluindo além da perspectiva pessoal, outros referenciais, vínculos e o que está em volta. E a entender que as realizações só acontecem com as aberturas de oportunidades.

Larissa foi atleta de natação por anos e conta também como o esporte foi essencial para que sua resiliência proporcionasse tamanho manejo das inquietações que existiam
Larissa contou que era atleta de natação de alto nível, por anos. A intraempreendedora destacou como o esporte foi essencial no manejo de suas inquietações, pois foi assim que desenvolveu sua capacidade de resiliência, que proporcionou melhores leituras e perspectivas de entendimento.

Portas abertas

E nesse ponto, Larissa tocou em outro ponto crucial para este momento, que é o compartilhamento. Na conversa, ela destacou a ajuda que teve de um gestor que, na época, fez questão de não apenas ouvir e compreender sua proposta, mas também permitir que sua proposta de inovação tivesse espaço para nascer.

Foi ao optar pela vulnerabilidade de contar suas dúvidas, receios para seu líder que a intraempreendedora começou a entender que com várias mãos, ela poderia dar corpo para sua iniciativa de maneira criativa. Ao partilhar com o grupo ela se deixou ser ajudada e passou a construir junto com as pessoas.

A experiência foi tão significativa que Larissa recomenda esse tipo de ação, pois todas “as pessoas ganham nessa colaboração”, conta. “Além disso, as questões se tornam mais leves, porque todos estão no mesmo propósito de ajuda. É assim que a gente se reconhece e se conecta com alguém, muito além da praticidade e só da objetividade do trabalho”.

Acolhimento muitas vezes é tido como algo infantil ou uma fraqueza, mas não se trata disso. Acolher é reconhecer e tratar daquela questão ou daquela pessoa, tentando desenvolver e nutrir o acontecimento ali presente. No ato de acolhimento é que construímos. É um ato criativo, que cada vez mais precisamos por em notoriedade para lidar com as nossas pulsões. É trazer consciência para questões que podem passar sem tanta atenção, mas que merecem nosso cuidado.

Por isso, Larissa ressaltou a necessidade do contínuo movimento #HeforShe, no qual os homens são ativos em abrir mais oportunidades para as mulheres, para que a sociedade entenda como colaborar de forma coletiva e destrinchar algumas barreiras sociais. Ela acredita que já estamos olhando para as diferenças, algo que precisa continuar como movimento progressivo:

“Diferença de perfis é algo importante demais, além da questão de gênero. É importante o perfil diferente, tratar do diferente e entender o que significa esse diferente. Mas o ponto principal, e que me permitiu ir além, foi o entendimento de se conectar com a alma e com o ser humano que está ao seu lado. É melhor criarmos um vínculo mais forte do que apenas essa conexão profissional, com um propósito. Nos conectar com as pessoas é, realmente, criar este laço. Mas precisamos entender que, por trás de uma pessoa, há um coletivo.”

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